O que os pais imprimem nos filhos

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"Quando somos pequenos, não questionamos as escolhas dos nossos pais. Aceitamo-las e pronto. São justificadas pelo estatuto quase divino da paternidade. Se não falam connosco, é porque não merecemos que nos dediquem esse tempo. Se não nos cumprimentam com amor e afecto, é porque não merecemos. Se somos ignorados, é porque não existimos." – Bruce Springsteen, Born to Run

Os nossos filhos, as nossas crianças, absorvem tudo... mesmo tudo. O que dizemos ou não dizemos, o que fazemos ou não fazemos, o que sentimos e não sentimos. Já reparou que, quando uma criança demora a adormecer e o pai ou a mãe começam a ficar irritados, mais a criança chora e menos a criança dorme, certo? A razão é simples: por mais que se esforce para manter o mesmo tom de voz, a sua irritação chega mesmo à criança, porque ela sente tudo.
E isto é só um exemplo.

Nos primeiros anos de vida dos filhos, estamos, enquanto pais, não só a passar-lhes os nossos valores e educação, mas também a dar-lhes as ferramentas emocionais que irão utilizar à medida que crescem e se tornam adultos. Hoje em dia, com o ritmo a que a sociedade vive, temos cada vez menos tempo para as crianças. Entramos no trabalho cedo e saímos tarde. É para dar aos nossos filhos o que não tivemos, dizemos nós quase para nos justificar. No entanto, quase todos os estudos dizem que as crianças querem mesmo é tempo de qualidade com os pais.

Quando saímos cedo e chegamos tarde a casa e já quase não vemos os nossos filhos, eles sentem que não merecem o nosso tempo, que não são assim tão importantes. Esta sensação que criam – e não é sequer relevante se é verdade ou não, só importa o que a criança sente – irá potenciar na criança uma carência no que se refere à sua autoestima, à sua autoconfiança e ao seu merecimento para receber Amor. Para esta criança, ela não merece receber Amor. É capaz de imaginar o que isto vai fazer nas relações amorosas futuras desta pessoa?

Quando os nossos filhos nos pedem atenção e nós dizemos "Espera" ou "Agora não" ou atendemos uma chamada que afinal, nem é urgente, e desviamos essa atenção para outra coisa, estamos a dizer à criança que ela não merece essa atenção, que está em segundo plano. No entanto, é muito comum isto acontecer quando há jantares com amigos. Temos os amigos à mesa, estamos todos a conversar, e os miúdos interrompem para perguntar algo. Aqui, muitas vezes, dizemos para esperar... e eles esperam ou insistem. Perca 10 segundos a explicar que está a falar e que assim que terminar o que está a dizer ou a ouvir, lhe dará a atenção... e cumpra. A criança poderá, assim, perceber as prioridades e, ainda assim, saber que merece a sua atenção. De futuro, a criança terá menos necessidade de gritar para ser ouvida, porque sabe que será ouvida na mesma.

Outra situação comum é referente às notas da escola. Tantas e tantas vezes, a criança aparece em casa a dizer que teve um 4 e nós, quais pais que queremos sempre ter os "melhores" filhos, dizemos que deveria ter sido um 5. Reconhecimento zero. Autoestima zero. Reforço positivo zero.
Reconheça o positivo. Se a criança lhe chega a casa a fazer referência a algo é porque isso é importante... dê atenção, reforce positivamente, incentive. Não transfira para a criança os seus anseios ou sonhos, eles são seus, não da criança. Estranhamente, a criança tem os seus próprios sonhos, objectivos, gostos, anseios, etc...

Voltando à nossa sociedade e ao nosso estilo de vida, somos pais acelerados, vivendo tudo a correr para prover à família, para dar o melhor possível aos filhos. Há telefones topo de gama na adolescência, tablets acabados de sair, consolas mais ou menos portáteis sempre com os últimos jogos e os acessos online para jogar com os amigos, etc, etc, etc.
Só que, assim, estamos a dar às crianças o material. Estamos a compensar tudo o que não lhes damos: Amor, Atenção, Carinho, Mimo, Educação, Regras, Valores... e com este "material" que lhes damos, estamos também a dar isolamento, falta de comunicação, distância. Estamos a criar, na era da comunicação, a geração mais isolada de sempre.

É claro que não há educações perfeitas, sendo que todas o são... cada uma à sua maneira. No entanto, gostava que registasse, deste texto, que tudo o que fazemos como pais imprime numa criança algo que vai ter impactos profundos no futuro. O que fazemos hoje ecoa na eternidade e é bem verdade... tudo o que passamos às crianças hoje, irá ecoar na vida adulta. Na delas, não na nossa...

Quer que a sua criança cresça emocionalmente saudável e que seja feliz quando crescer? Dê-lhe atenção e tempo, mimo e Amor... Mais consola, menos tablet, não lhe vão dar as bases para ser uma pessoa Feliz e Realizada.
Está nas suas mãos decidir o que quer imprimir na sua criança.

 

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