Wake Up Call (outra vez)

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O que se passou na terça feira na Academia Sporting foi, mais do que um ataque aos profissionais do Sporting Clube de Portugal e ao próprio clube, um atentado ao futebol e, arrisco, a todo o desporto português. E não foi por falta de avisos.

Nesta altura, o mais normal será apontar já culpados e responsáveis pelo acontecido. E coloco "culpados e responsáveis" porque falamos mesmo de coisas diferentes.
Os culpados deste caso são, antes de mais, os 30 ou 40 indivíduos que agrediram os profissionais do clube. No entanto, podemos estar perante um caso em que estes tenham agido a mando de alguém. Então, também esse seria culpado no caso. Já os responsáveis, seja por acção ou inacção, são muitos mais.

Nos últimos anos o futebol português tem estado num permanente estado de guerrilha, e as acusações chegam de todos os lados, com maior destaque para os 3 grandes clubes nacionais. Mas a responsabilidade não se esgota nem nos presidentes, nem nos departamentos de comunicação destes clubes. Esta deve ser alargada à Liga, FPF, IPDJ e Governo através da Secretaria de Estado do Desporto.

Para falar apenas de alguns exemplos de que me lembro, a coisa começou há já largos anos.

Um adepto salta da bancada do Estádio da Luz e dá uns calduços num Árbitro Assistente e nada acontece ao clube em causa.

Adeptos do FC Porto invadem um centro de treino de árbitros, apertam com Artur Soares Dias... e nada acontece ao clube.

Um adepto é morto à porta de um estádio, por adeptos claramente identificados com um clube... e nada acontece ao clube.

Um adepto do Porto invade o relvado e agride um jogador do Benfica... e nada acontece ao clube.

Nas modalidades, as claques de Porto, Benfica e Sporting, no espaço de 15 dias, insultam os rivais – o avião da Chapecoense, o som de very light, a canção sobre Eusébio – e nada acontece aos clubes. Sim, Fernando Madureira foi castigado e depois absolvido num caso que, claramente, minou a autoridade do IPDJ.

O mesmo IPDJ que assobia para o lado quando o tema são claques. Claques apoiadas directamente por um clube têm que ser legalizadas. Se não o são, tem que haver consequências para o clube.

No último dérbi, as claques do Sporting atiraram tochas para o relvado logo no início do jogo. E não há consequências para o clube. Multas? Venham elas que até são baratas.
No mesmo jogo, as claques do Benfica entoam cânticos alusivos a Marco Ficcini... e nada acontece, ninguém investiga.

Mas, há mais. Quando as entidades que gerem o futebol nacional arquivam processos com o argumento de que as ofertas não chegam ao valor definido pela UEFA (300€) mas que, esse mesmo valor não é aplicado nas competições nacionais, estamos conversados.

Quando o Governo não altera a lei, permitindo que os adeptos identificados e que tenham praticado crimes continuem a ir ver os jogos aos estádios, a sensação de impunidade estende-se a todo e qualquer adepto, criando condições para que mais casos aconteçam. E podíamos falar de mais coisas, como as multas irrisórias aplicadas aos clubes ou as ridículas suspensões aplicadas aos seus presidentes que, na prática adiantam zero. A sensação de impunidade vai crescendo para todos os lados. E, isto, é o mundo do futebol neste momento.

Entre estas coisas todas, foi comum ouvirmos dizer que as coisas estavam a piorar. Primeiro, era a pergunta "será preciso morrer alguém?", depois morreu mesmo e, ainda assim, nada foi sendo feito. Agora deu-se esta situação e aparecem os ilustres a dizer que se cruzou uma linha. Não, não se cruzou agora. Essa linha já foi cruzada há muito tempo. Agora está é bem mais longe.

É urgente mudar. É urgente criar leis que punam exemplarmente os prevaricadores. As multas não podem ser 1000€, têm que ser de 1M€... e mais ainda para os detentores de cargos directivos dos clubes. Os adeptos têm que ser obrigados a apresentarem-se na esquadra, no dia e hora do jogo da sua equipa. Tem que se retirar pontos aos clubes culpados. Jogos à porta fechada, se for caso disso. É preciso punir sem olhar a quem, se querem limpar a porcaria – para utilizar uma frase famosa de Carlos Queirós.

Em Inglaterra, há umas décadas atrás, passaram a impedir que certos adeptos entrassem nos estádios. Não se veem claques nos estádios e o espetáculo do futebol é isso mesmo, um espetáculo.
Em Itália, a Juventus desceu de divisão, num caso de corrupção. Porque foi possível? Porque, antes, já tinham tido a coragem de prender mafiosos e governantes.

Nesse dia 15 de Maio, recebemos um forte Wake Up Call... se não acordamos com isto e mudamos já, temo que o futuro seja tudo menos risonho. E aí já vai ser tarde para procurar responsáveis.

 

 

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