No descanso também se trabalha

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Todos sabemos que andar em cima de uma bicicleta 4, 5 ou 6 horas, requer muito espírito de sacrifício. Fazê-lo todos os dias durante 3 semanas, ainda mais. Quando a isto juntamos competições como o Giro de Itália, o Tour de França ou a Volta à Espanha, ainda mais complicado se torna. O nível competitivo é muito alto, não só pelos percursos como pelos atletas envolvidos.

Na maioria dos casos, os chefes de fila das equipas apenas fazem uma dessas competições, devido à sua exigência. Pelo menos, aqueles que são candidatos a vencer a competição, como Nairo Quintana ou Chris Froome, costumam apenas apontar ao Tour, pois o desgaste físico e mental de uma competição destas é tremendo.

Este ano, Quintana optou por fazer o Giro – prova em que era considerado o grande candidato à vitória final – e o Tour – onde Froome é, por estes anos, o grande favorito. No Giro, Quintana ficou na segunda posição a apenas 31'' de Dumoulin, tendo perdido a liderança na última etapa, um contrarrelógio individual, especialidade em que o holandês é um dos mais fortes da actualidade.

No Tour de França, Quintana caiu para a 11ª posição após a 15ª etapa em que terminou a quase 4 minutos dos favoritos à conquista da camisola amarela. Além do desgaste físico de uma prova destas, fala-se agora do eventual desgaste mental do colombiano, que terá quebrado ainda mais por ter feito o Giro antes.

O Giro de Itália correu-se entre 5 e 28 de Maio, tendo o Tour começado a 1 de Julho. É mais de um mês de intervalo, tempo mais do que suficiente para o atleta recuperar mentalmente da competição anterior e preparar a seguinte. No entanto, este é um período em que, regra geral, os atletas trabalham pouco o aspecto mental da competição.

O treino mental, como o físico, deve ser realizado de forma continua, dentro e fora da competição propriamente dita. Se o atleta treina a sua condição física, mesmo que com treinos de recuperação ou com menos carga, porque não deverá fazer o mesmo com a mente? Pode e deve.

Vamos que assumir que Quintana, no Giro, não atingiu os objectivos propostos pela equipa e por ele mesmo: Vencer. Claro que pode deixar algumas marcas no atleta, em particular na sua confiança e motivação, que podem ter impacto na competição seguinte que, neste caso, é tão ou mais importante que a anterior.

Durante o mês que antecedeu o Tour, era muito importante fazer-se uma análise detalhada do que aconteceu na prova italiana, etapa a etapa. Perceber o que se podia ter feito melhor e como, se o atleta deu tudo de si, relembrar vitórias ou superações anteriores, definir objectivos e projectar a prova seguinte, entre outras coisas.

Este período fora de competição serve, não só para analisar e relativizar algumas coisas, criando uma "tábua rasa" com vista à competição seguinte, ao objectivo seguinte, mas também para que o atleta possa trabalhar alguma coisa que tenha identificado em si mesmo e que, mesmo fora de competição, necessite ser trabalhado porque, como disse antes, o treino mental é um trabalho continuo.

É também nestas alturas de descanso que o trabalho mais genérico deve ser realizado. O atleta apresenta-se mais tranquilo e com períodos de menor concentração competitiva, razão pela qual estará mais disponível para o trabalho e os resultados terão um efeito mais duradouro. Na competição trabalha-se a competição propriamente dita.

No caso em concreto de Quintana, julgo que este trabalho não foi devidamente realizado. As razões podem ser muitas e variadas, pelo que só poderia especular porque tal não aconteceu. No entanto, há ainda outro factor que contribui para um mau desempenho no Tour. Penso que Quintana não acredita que pode bater Froome nesta prova e também esta crença pode e deve ser trabalhada fora de competição. Afinal de contas, ninguém dura para sempre e também os melhores podem ter dias menos bons... Assim estejamos preparados para os aproveitar, estando sempre ao nosso melhor nível, física e mentalmente.

Se e quando o fizer, Nairo Quintana estará mais perto de bater o inglês e vencer a maior prova do calendário de ciclismo internacional.

 

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