Campeonato 2016 / 2017

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Muitos factores contribuem para se ser campeão nacional de futebol. O campeonato é uma prova longa - de regularidade, como se diz - em que vence quem falha menos, quem perde menos pontos.
Além das questões técnicas e tácticas, de gestão de plantel - quebras de forma, lesões, castigos, etc -, há a componente mental que é preciso ter sempre ao mais alto nível. E é sobre este prisma que vamos olhar para o que os grandes fizeram... e para mais duas equipas.

SL Benfica

Estabilidade e Confiança

O Benfica conquistou, este ano, o seu inédito Tetra campeonato. Ganhar um campeonato já é difícil, vencer 4 consecutivos é altamente improvável. Basta ver o número de vezes que um clube, qualquer clube, o consegue.

Para a conquista histórica desta época, muito contribuem a Estabilidade - do clube, em termos de direcção e equipa técnica - e a Confiança - dos atletas.

Para se perceber melhor o que se passou este ano é preciso dar uma olhadela ao ano passado. Depois de um início atribulado, com resultados negativos e muita contestação, o Benfica conseguiu criar a estabilidade necessária para que os resultados melhorassem e conseguissem, no final, festejar o título. Essa estabilidade foi criada de cima para baixo. A Direcção deu estabilidade a Rui Vitória que, por sua vez, conseguiu passa-la para o grupo. Com as vitórias veio a confiança dos atletas que fizeram um final de época tremendo.

Este ano, o Benfica deu sequência aos resultados do ano passado - perdeu apenas ao 9º jogo oficial - e isso cimentou ainda mais a confiança dos jogadores em si mesmos e na equipa.
Mesmo nas alturas em que o desempenho, a qualidade do futebol apresentado, não foi tão bom, as vitórias apareceram muito alicerçadas na confiança que os jogadores têm, em si mesmos e nos colegas, levando a que alguns jogos fossem resolvidos pelo individual em vez do colectivo.

Um exemplo disto é o facto de, um extremo que nem era titular absoluto, ser adaptado a ponta de lança e ter feito esquecer o melhor jogador dos 2 últimos campeonatos.
O mais importante disto, da Estabilidade e da Confiança, é que não houve grandes oscilações durante a época, em termos mentais. A Equipa foi de alta regularidade. Além de muito regular, esta foi sempre em alto nível.

Outro factor que contribuiu para o resultado final, foi a presença constante do objectivo final: Vencer o título era conquistar o Tetra e, assim, entra na História do Clube. Só por si, já é motivação suficiente.

Rui Vitória

Na minha opinião, RV não é propriamente um exemplo de um extraordinário treinador. No entanto, tem algumas grandes qualidades, sendo uma das mais importantes a forma como está constantemente a reforçar o "nós" em vez do "eu", o grupo em vez do jogador. Tal como no ano passado, foi nas alturas mais difíceis que RV mais fez uso deste princípio. Na fase de muitas lesões, era o grupo que iria encontrar as soluções para dar a volta à situação e não, como seria mais normal que dissesse, apenas e só o treinador.
Assim, Rui Vitória, ganha o plantel semana após semana, contribuindo decisivamente para os resultados positivos.

FC Porto

A pressão de jogar em casa... e a falta de títulos

O Porto partia para este campeonato com a pressão de vencer num nível altíssimo. Nos clubes grandes, a pressão de vencer é normal e os jogadores sabem bem lidar com ela. No entanto, a pressão que o Porto colocou esta época foi excessivamente alicerçada no facto de não ser campeão há 3 épocas. Além disso, contratou um treinador para trazer de volta a mística portista ao balneário, o treinador da marca "Somos Porto". Os adeptos, habituados a vencer de forma constante nas últimas décadas, pressionavam para ter resultados imediatos - mais um ano a "seco" era impensável num clube como o FC Porto.

O início de campeonato até foi interessante, se considerarmos a derrota em Alvalade um resultado normal. Até à jornada 10, o Porto teve 3 empates e 1 derrota, saltando à vista os empates em Setúbal e Tondela como os resultados "anormais". No entanto, o grande problema do Porto, esta época, foi mesmo jogar no Dragão. A pressão era enorme e os jogadores não estavam preparados para ela. Mais, ninguém soube tirar essa pressão aos atletas.
Dos 10 empates consentidos pelo Porto até agora, 5 foram em casa. Considerando que um deles foi com o Benfica, 4 destes empates são claramente anormais num grande. São 8 pontos perdidos em casa contra equipas "pequenas" que, em condições normais, dariam para o título.

Há alguns grandes exemplos de como o trabalho mental, no Dragão, não foi feito convenientemente. Quando o Porto teve mais pressão para vencer, falhou. Nas alturas em que se podia ter assumido e passado para a liderança do campeonato, falhou. E falhou porque ninguém libertou os atletas da ansiedade e da pressão negativa que existia.
Quando a pressão foi menor, nas alturas em que estava teoricamente afastado da luta pelo título, o Porto conseguiu fazer boas sequências de resultados, recuperando de uma distância pontual considerável.

Nuno Espírito Santo

Há alturas em que é preciso dar um murro na mesa, ser mais assertivo, mostrar mais garra. NES preocupa-se demasiado em mostrar o lado tranquilo, equilibrado, ponderado, primando sempre pela educação e elevação de discurso... o que se aplaude. No entanto, como líder de um grupo, precisa de se adaptar melhor às circunstâncias. Em determinada altura era necessário sair do discurso da confiança no processo, no trabalho, no treino e no que se faz... era preciso apelar à garra, ao coração, à atitude dos jogadores... morrer em campo independentemente do resultado. Não o fez e pagou por isso em muitos jogos, especialmente em casa contra os pequenos.
Se quer vencer no futuro, precisa trabalhar esse aspecto da sua liderança.

Sporting CP

3 momentos que marcam uma época

A época do Sporting começou torta. Indefinição nas saídas de alguns atletas e, mais importante, atletas importantes no plantel a mostrarem vontade de sair, sendo Adrien o exemplo mais significativo.

Fechado o mercado, pensava-se que as coisas iriam acalmar mas, a meio de Setembro, Jorge Jesus tem o primeiro momento marcante da época. As declarações de JJ no final do jogo em Madrid, que o Sporting perdeu por 2 - 1, em vez de enaltecerem o grande jogo e o trabalho dos atletas, arrasou com os jogadores, puxando para si os louros de uma exibição quase perfeita. Uns dias depois, na antevisão ao jogo em Vila do Conde, mais declarações a puxar para si os louros deixando os atletas numa posição de inferioridade no que ao mérito diz respeito. Não contente, no final do jogo contra o Rio Ave, depois de uma derrota por 3 - 1, JJ voltou a arrasar os atletas: a culpa da derrota era deles.
Aqui, JJ perdeu o balneário para não mais o recuperar.

Em Dezembro, JJ voltou a dar mais um tiro certeiro... nos pés. Depois de abordar um jogo a 90% que, naturalmente, deu em derrota e afastamento das competições europeias, foi à Luz  lutar para a liderança do campeonato.
Apesar da boa exibição, o Sporting perdeu e ficou mais longe do líder. A partir daí, o Sporting e JJ em particular, entraram numa sequência de declarações que em nada ajudaram os jogadores para os jogos seguintes. Durante semanas, a razão de todos os males eram os árbitros, em especial Jorge Sousa, desfocando os atletas do essencial e fazendo com se focassem no acessório, no que não controlam. Os resultados começaram a piorar e as exibições ainda mais.

Em Janeiro a época acabou mesmo para o Sporting. A eliminação da Taça de Portugal, em Chaves, deu origem a uma entrada do Presidente no balneário e a críticas ferozes à atitude e desempenho dos atletas. Mais uma vez, eram os atletas os culpados de tudo. A partir daqui, o plantel desligou para apenas voltar a ligar quando o objectivo passava por um dos seus - tornar Bas Dost o Bota de Ouro. Passando Messi para a frente dessa corrida e perdida a esperança de atingir esse objectivo, o plantel entrou de férias.

Jorge Jesus

JJ é, talvez, o melhor treinador de campo do campeonato nacional mas é, também, um dos piores do que toca a trabalhar mentalmente os seus atletas.
Quando "eu ganho" ou "nós ganhamos" mas "eles perdem", dificilmente se conseguirá ter um plantel a dar tudo por um todo.
JJ perdeu a pessoa que controlava o que dizia - Evandro Mora saiu no final da época passada - e isso notou-se, e muito, durante este campeonato. JJ sempre disse o que quis só que, sem filtro, o descalabro foi total.
Se não trabalhar essa parte em si mesmo, dificilmente terá sucesso.

Vitória SC e SP Braga

Tão perto e tão longe

Excluindo os três grandes, Vitória de Guimarães e Sporting de Braga são os clubes onde a pressão de resultados é maior.

No caso do Vitória, tal como no Benfica, a estabilidade directiva foi um dos grandes pilares do sucesso. Pedro Martins preparou a sua equipa para lutar por um lugar na Europa e nunca se deixou deslumbrar com os resultados, provavelmente melhores que o esperado.
Assegurado esse objectivo, foi possível pensar mais acima e olhar para o 3º lugar mas sempre numa perspectiva de lucro e não como um objectivo em si mesmo. Era algo que servia para manter os atletas focados, concentrados e motivados.

Fazer melhor na próxima época será complicado, até pela presença na Liga Europa, mas se não se deslumbrarem, o próximo ano tem tudo para continuar a ser de sucesso.

O SC Braga passou exatamente pelo oposto do seu vizinho do Minho. Salvador deslumbrou-se com o crescimento recente e quis dar um passo maior que a perna - a distância entre o Braga e os grandes é demasiado grande para querer encurtar assim.
Despediu Peseiro mais pelo desempenho na Europa que pelo campeonato e foi contratar Jorge Simão. Pelo meio, Abel foi a Alvalade vencer e colocar o Braga na 3ª posição. Quando entrou, Simão colocou o obejctivo demasiado acima e disse que queria manter o terceiro lugar. Se quisesse o quarto lugar mas, já que estava em terceiro iria tentar manter esse lugar, faria mais sentido e não acrescentava pressão.
De seguida, entrou a "matar" tentando mudar muita coisa em pouco tempo. Foi buscar jogadores para posições nucleares, "afastando" do 11 alguns nomes importantes no balneário. Correu mal. Deu sempre a sensação que o plantel não estava com ele.
A instabilidade das mudanças de treinador, a ambição excessiva e desmedida de Presidente e Treinador, criaram uma distância anormal entre eles e o plantel, entre o que se quer e o que se sabe poder dar. Os objectivos devem ser ambiciosos mas, sobretudo, realistas.
Jorge Simão não estava preparado para um clube como o Braga. A postura "confiante" e o discurso demasiado ambicioso, ou têm resultados que os sustentem ou as coisas correram mal, a confiança acaba por ser encarada como arrogância.

 

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