A Exigência Competitiva, o Inconsciente Colectivo e Mentalidade Vencedora - Parte II

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Na Parte I, falámos sobre o impacto que a exigência competitiva semanal tem na evolução dos atletas, física e mentalmente, bem como isso se reflete nos resultados das equipas nacionais na Liga dos Campeões. Nesta Parte II falaremos sobre o Inconsciente Colectivo das equipas, como é influenciado e o seu impacto nos resultados desportivos.

Os portugueses, genericamente falando, têm dificuldade em acreditar que podem vencer competições, quando falamos de desportos colectivos. Talvez devido à nossa própria história, temos uma grande tendência a nos colocarmos numa posição inferior à do adversário. Quando as equipas nacionais jogam contra um Dortmund, uma Juventus ou um Real Madrid, partem para esse confronto já meio derrotadas, já um passo mais longe da vitória.

É certo que essas equipas, normalmente, chegam mais longe na Liga dos Campeões, ganham mais títulos internacionais mas, mesmo quando assim não é, os nossos atletas "assustam-se" com os nomes.

Quando são realizados os sorteios, começa a saga. Porque aquela equipa é um colosso e é mais forte teoricamente - e reforço aqui o "teoricamente" -, porque vamos ter que jogar com muitas cautelas, porque...  E é aqui que reside um dos problemas: a mensagem passa. Para os comentadores, para os treinadores, para os jogadores.

Fruto desta ideia, é muito comum que os treinadores das equipas portuguesas, nestes jogos, façam alterações nas suas equipas com o objectivo maior de não sofrer golos. Não falo, claro, de alterações estratégicas, que essas são mais normais. Falo, sim, de alterações de filosofia de jogo, de mentalidade de jogo. E, também assim, passam para o inconsciente dos atletas a mensagem de que não acreditam na vitória. E um atleta que não acredita que pode vencer, não vence.

Se, por exemplo, o Benfica jogasse com o Dortmund com um Rafa a fazer a ligação entre o meio campo - Pizzi e Samaris - em vez de André Almeida, a mensagem que Rui Vitória passaria para os jogadores seria bem diferente... mesmo que, tácticamente, não existissem grandes alterações.

Os nossos clubes estão, no campo do Mental Coaching dos Atletas, ainda bastante atrasados já que, em muitos casos, este trabalho não existe.
Trabalhar o Inconsciente Colectivo para estas provas é complicado e envolve duas partes distintas. Ou melhor, envolve três, já que o treinador também é parte integrante.

É necessário trabalhar os atletas individualmente, potenciando as suas qualidades e as sensações positivas de confiança e estima e, dando já um passo no trabalho de equipa, humanizar os atletas adversários, tirar-lhes a imagem de "super heróis" invencíveis porque jogam naquele clube.

No trabalho colectivo, realizado com toda a equipa ao mesmo tempo, não me parece muito relevante falar dos feitos internos, pelas questões abordadas na Parte I. É, no entanto, importante humanizar a Equipa adversária como um todo, lembrar derrotas do adversário contra equipas menos cotadas e, sobretudo, lembrar feitos históricos do clube que se representa e, porque não, feitos históricos do futebol português. Aqui trata-se de lembrar que é possível, que mesmo sendo colocados como não favoritos, pode vencer-se o jogo, a eliminatória ou a competição.

Por último, o trabalho com o treinador. Claro que não vamos por o treinador a dizer coisas que não pensa, nem o vamos fazer mudar a estratégia que entende ser a melhor para aquele jogo. Vamos, isso sim, ajudá-lo a não dizer coisas que possam ser prejudiciais aos atletas, seja no treino, na cabine ou numa conferência de imprensa.
Todo o discurso do treinador deve ser orientado para a possibilidade de vencer. Tudo o que o treinador trabalhe com os atletas, tudo o que seja definido como táctica ou estratégia de jogo, tem que ser passado com a crença de que, assim, a equipa estará mais perto de vencer, que se acredita que pode vencer.

Trata-se de ajudar o treinador a criar uma Mentalidade Vencedora para estes jogos. E é isso mesmo que vamos abordar na Parte III.


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