Estabilidade Emocional contra a injustiça

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Para efeitos deste texto, vamos assumir duas coisas: Porto e Sporting têm sido prejudicados pelas arbitragens e os árbitros, genericamente, têm pouca qualidade.

Os jogadores, se calhar muito mais do que quem está fora do campo, compreendem que os árbitros podem errar e aceitam isso com naturalidade. No entanto, quando os erros dos árbitros são muitos e para o mesmo lado, é encarado como uma injustiça. Esse sentimento de injustiça rapidamente se transforma em revolta, em frustração e alguma raiva, que afecta a estabilidade emocional do atleta.

Quando a situação só acontece num jogo, esses sentimentos negativos são resolvidos nos dias seguintes ao jogo e o caso fica por aí, normalmente. No entanto, nos casos de Porto e Sporting, o que temos visto é a referência constante aos erros dos árbitros, nos jogos destes clubes, e é aqui que está o grande problema.

Como já falámos anteriormente, os atletas ouvem e vêm o que é dito pelos seus responsáveis – Treinador e Presidente, principalmente – e são por isso afectados, positiva e negativamente. Quando a comunicação de um clube, do seu Treinador ao seu Presidente, insiste, semana após semana, no discurso de que a equipa é prejudicada pelas arbitragens, os jogadores criam, no seu inconsciente, essa certeza, essa crença, e entram em campo já com essa "realidade" presente. Este estado de "vamos ser prejudicados" retira estabilidade emocional aos atletas, mesmo antes do jogo se ter iniciado.

Um atleta emocionalmente instável rende, invariavelmente, menos do que pode e deve. Além disso, está focado em coisas que não pode controlar – o trabalho do árbitro –, em vez de estar focado no que realmente controla – o seu próprio trabalho. Consequência natural disso é ter um desempenho menos positivo, mais erros, mais ansiedade, mais pressão, menor capacidade de raciocínio e, claro, maior propensão para o confronto com o árbitro.

E, penso, é muito isto que se está a passar com os plantéis de Porto e Sporting. Não só mas também, obviamente.

Entendo que, pela mentalidade reinante, é normal falar-se das arbitragens... especialmente, quando os resultados não são positivos. Aceitando isso, e que as críticas não vão desaparecer, torna-se indispensável que, Nuno Espírito Santo e Jorge Jesus, trabalhem os seus atletas durante a semana para, no jogo seguinte, ignorarem por completo o árbitro, concentrando-se e focando-se apenas no que têm a fazer.

Conversas do tipo "já conhecemos este árbitro" ou "já sabemos que somos prejudicados", ou outras semelhantes, têm que desaparecer da preparação do jogo seguinte. Devem, aliás, e a bem da coerência na passagem da mensagem para os atletas, desaparecer das conferências de imprensa pré jogo.

Se NES e JJ o conseguirem fazer, estarão mais perto de conseguir que os seus atletas rendam o que podem e sabem. Mas, atenção, devido ao tempo a que estas críticas são feitas, dificilmente sairá do inconsciente dos atletas de um dia para o outro. É necessário haver continuidade no discurso... e é aí que tenho dúvidas que, quer NES quer JJ, sejam bem sucedidos.

 

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