Estamos a matar o futebol. Todos!!!

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Após o dérbi da Jornada 13 da Liga NOS, ia falando com alguns amigos sobre o jogo – um dos melhores dérbis que vi nos últimos anos, entre Benfica e Sporting, diga-se –, sobre a sorte ou azar das equipas, da eficácia ou falta dela, das substituições e ia pensando no que escrever hoje. Passado algum tempo, começam a surgir as imagens dos casos do jogo e, a partir desse momento, o jogo deixou de interessar... só se falou de arbitragem.

Depois, tive oportunidade de ver um daqueles programas televisivos cheios de "comentadores" afectos aos clubes e, durante grande parte do programa, discutiu-se... arbitragem. Casos deste e doutros jogos. Casos com imagens de 1001 ângulos, com imagens paradas, com imagens aumentadas até só se ver meio braço e uma bola. E do jogo... quase nada. Repito, um dos melhores dérbis que me lembro de ver.

Na semana a seguir a um jogo que deveria ser um exemplo do nosso futebol, vai falar-se de quase tudo, menos do jogo. E o grande assunto, já se sabe, vai ser Jorge Sousa. Todos vão falar, todos vão opinar, com mais ou menos conhecimento de causa. No entanto, terão, quase todos, em comum o facto de terem uma camisola vestida e não a despirem. Para uns é falta clara, para outros é, no máximo, duvidoso... depende da camisola.

Em Portugal, é fácil dizer-se mal dos árbitros. É fácil encontrar culpados para as derrotas. São sempre os mesmos os culpados. Os homens do apito. É, também por isso, que o nosso futebol é como é.

Os árbitros, já aqui o escrevi antes, também leem jornais, também veem televisão e, como os outros atletas, também sentem a pressão. No caso deles, ainda é pior a situação. Se os atletas até podem ser "mimados" pelos adeptos do clube que representam, os árbitros não têm claques, não têm adeptos... todos os criticam.

Vamos partir do princípio que os árbitros, como humanos que são, provavelmente irão ter erros durante um jogo, faz parte. Quanto mais pressionados os árbitros forem, mais erros irão cometer. É normal. É exatamente o mesmo com os jogadores.
Se um árbitro erra para um lado, é criticado severamente... se, na semana seguinte, errar a favor desse mesmo lado, o erro será algo natural. Nessa semana, será severamente criticado pelo outro lado. Portanto, (quase) nunca está bem. E isso é mesmo muito mau para a preparação mental de um árbitro, para o jogo seguinte.

Já sabemos que, como todos nós, os árbitros não gostam de errar, sentem-se mal com o erro. É cada vez mais importante dotar os árbitros de ferramentas para lidar com o erro, para preparar melhor o jogo seguinte, ao nível mental. É altura de a APAF, a FPF e a LPFP, se juntarem e criarem condições para os árbitros terem acesso a essas ferramentas, de forma concertada e profissional, pois o pouco trabalho que se vai fazendo com os árbitros, nesta matéria, não chega. Só assim, a juntar aos já muito profissionais apoios físicos, será possível minimizar os erros dos árbitros, no curto prazo – enquanto não aparecem as novas tecnologias.

Eventualmente, outras medidas poderiam ser tomadas, mas parece não haver "vontade politica". Neste momento, os árbitros (e não a arbitragem) são uma ilha no meio de um futebol que teima em parecer gostar do estado das coisas.

Ser árbitro é duro.

 

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