O Treinador como Líder ou Gestor

  • O Treinador como Líder ou Gestor

"A Fé que teve, a mim, marcou-me" – Cristino Ronaldo para Fernando Santos, após a final do Euro 2016.

Temos muito a ideia de que, os treinadores, devem ser Líderes para ter sucesso. No entanto, há bastantes casos em que o sucesso aparece, apesar de os treinadores não serem Líderes, na mais comum concepção do termo.

Quando falamos em treinadores Líderes, um dos nomes que nos vem logo á ideia é o de José Mourinho. A carreira de Mourinho está cheia de relatos e testemunhos que mostram como os jogadores o seguem, como vão, por ele, até ao fim do mundo. De facto, Mourinho é (era?) o protótipo do Líder. É aquele que consegue, pelas palavras e atitudes, ter os jogadores consigo e fazê-los lutar consigo e por si, com os resultados que se conhecem.

Há, no entanto, outro protótipo de treinador vencedor: o Gestor. Nesta categoria entram, entre outros, treinadores como Fernando Santos, Carlo Ancelotti, Zidane ou Rui Vitória. Mas, vamos centrar-nos no primeiro, depois do vídeo com o discurso de Ronaldo após a final do Euro 2016.

Fernando Santos, devido à sua personalidade, não é um treinador empolgante nas conferências de imprensa e, presumo, também o não é nas conversas com os jogadores. Tendo noção disso, Santos desenvolveu o lado do Gestor de homens.

No Euro 2016, essas qualidades saltaram bem à vista. Fiel ao seu estilo, sempre acreditou no sucesso da selecção. Essa crença foi clara desde o 1º treino, da 1ª concentração, em que escreveu num quadro que o objectivo era ser Campeão Europeu. E aquelas palavras não foram apagadas, pelo que os jogadores as viam, liam e com elas se identificavam, sempre que ali entravam.

Como Gestor, Santos precisava de fazer os jogadores acreditar que eram capazes. Para tal, não "podia" ser ele a passar essa mensagem – não está no seu ADN -, teria que ser O Líder do balneário: Ronaldo, pois claro. Assim, a tarefa estava identificada: "convencer" Ronaldo a acreditar tanto quanto ele.

Santos é um treinador experiente e, conhecendo o seu capitão como conhece, facilmente identificou a forma: apelar à Crença que Santos e Ronaldo partilham. Conseguido isto, a confiança de que era possível disseminou-se pelo balneário, alicerçada em Ronaldo e na sua Crença. Nesse campo, Santos não precisava fazer mais nada.

O resto, o que Santos tinha que fazer, era gerir as pessoas e, isso, ele faz como poucos. Poderá alegar-se que, numa selecção como a nossa, onde Ronaldo está acima de todos os outros, isso até seria fácil. Mas os "azares" podem acontecer e era preciso estar preparado para eles. Nestes casos, o mais importante, é ter os jogadores comprometidos com a Equipa sabendo que, também eles, são parte decisiva no sucesso e na prestação da Estrela da Equipa.

O exemplo prático desse trabalho, aparece, precisamente, na final do Euro. Ronaldo sai lesionado ainda na primeira parte e temeu-se o pior. No entanto, quando os jogadores estão envolvidos com a Equipa, o Ego é o da Equipa, os jogadores parecem unir-se ainda mais, parecem lutar e correr mais.

Quer o Líder, quer o Gestor, podem ter sucesso, assim desempenhem bem as suas funções. No primeiro caso, para o bem e para o mal, o Líder aparece muitas vezes sozinho, à frente da Equipa que o segue e o "Eu" é muitas vezes utilizado. No segundo, o Gestor parece fundir-se com a Equipa, utilizando quase sempre o "Nós", caminhando lado a lado ou no meio da Equipa.

A diferença maior está na Equipa e na ausência do treinador. Sem o Líder, a Equipa pode perder-se, perder identidade... sem o seu Gestor, a noção de Equipa continuará presente nos atletas que a compõem.


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