Os objectivos e a gestão de espectativas

  • imagem de medalhas olímpicas

Nos anos dos Jogos, Olímpicos e Paralímpicos, os atletas planeiam o seu treino de modo a estarem no seu pico de forma, por altura dos Jogos. Esta é, normalmente, a competição mais importante do ano.

A pensar nisso, são definidos os objectivos de cada atleta, mais ou menos ambiciosos. O mais comum, é que os objectivos sejam definidos em forma de classificação: Medalha de Ouro, fazer pódio, ficar nos 8 primeiros, etc. No final, é altura de se analisar se os objectivos definidos foram atingidos.

De forma simplista, as coisas são fáceis de ver. A classificação foi atingida? Se sim, tudo está certo… se não, há que perceber. Ou seja, se não atingirmos a classificação definida, então falhámos o objectivo. Ou será que não?

Olhemos, por exemplo, para Nélson Évora e Patrícia Mamona. Vamos assumir que ambos definiram como objectivo, o pódio, nestes Jogos Olímpicos do Rio. Numa análise simplista, ambos os atletas teriam falhado o seu objectivo, pois ficaram-se pelo 6º lugar na respectiva competição. Apesar disso, um fez a sua melhor marca da época – Nélson Évora -, e o outro estabeleceu o recorde nacional na disciplina – Patrícia Mamona. Ou seja, o seu desempenho foi bastante positivo. Desta perspectiva, podemos considerar que o objectivo foi atingido.
No entanto, e como os atletas não competem sozinhos, houve atletas com melhores marcas.

É por estas situações que considero que devemos definir mais do que um objectivo por competição. Penso que devemos, sempre que possível, definir 3 objectivos.
Neste caso, o 1º objectivo poderia ser, o lugar no pódio – este será sempre o objectivo mais ambicioso. O 2º obectivo poderia ser, estabelecer o recorde pessoal ou o recorde nacional da disciplina – também ambicioso mas, ainda assim, menos um pouco que o 1º. Como 3º objectivo, caso seja necessário, poderíamos estabelecer a melhor marca do ano para o atleta.

Não se trata de definir objectivos só para serem alcançados mas para ter uma escala de objectivos, com grau de dificuldade ascendente. Depois, devemos analisar se a prova foi ou não bem conseguida. É aqui que entra a gestão das expetativas de cada um.

No final da competição, distancia-te o mais possível e analisa.
Foi atingido algum objectivo? Qual?
Se não foi o 1º objectivo: Podia ter feito mais/melhor?

Se não atingiste nenhum dos objectivos, analisa porquê, onde se falhou ou pode melhorar e se os objectivos eram realistas para ti.

Se atingiste algum dos objectivos propostos e fizeste tudo o que podias fazer, não te critiques, é mesmo assim que deves competir. Dá tudo de ti... e, no fim, fazem-se as contas.


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