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Liberta-te da ansiedade. Quando?

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Há uns dias, tive o gosto de assistir a uma palestra com um dos mais conceituados treinadores de triatlo do mundo. Durante a palestra, falou-se da ansiedade que alguns atletas sentem antes e durante as provas. Os exemplos dados pelo treinador referiam-se a duas atletas suas. Uma delas ligava-lhe dezenas de vezes nos 2 dias antes da prova e uma outra chegou a parar durante a prova, na sequência de "palavras de incentivo" do treinador. De referir que, este treinador é pouco dado ao trabalho em equipa, sendo ele a única referência para os atletas, seja qual for a área de intervenção. Ou assim ele julga.

Durante este dia falei com outros treinadores, que também assistiam à palestra, e que me diziam que iam falando com os atletas e estes, com o tempo, iam perdendo essa ansiedade ou, pelo menos, os treinadores assim o pensam.

A questão aqui é mesmo o tempo que escolhemos para ultrapassar a ansiedade. Se a escolha recair por estes métodos, a ansiedade irá passar… um dia, no futuro. Mas esse dia pode chegar daqui a 10 anos ou mais tarde. A experiência ajuda na maior parte dos casos, mas esperar pela experiência para conquistar a ansiedade acarreta vários riscos:

1 – Não trabalhamos a origem da ansiedade já que esta aparece na sequência de algo mais profundo. Não o trabalhando, aprendemos a viver com o sintoma, não o tratamos.

2 – O tempo, por si só, não serve para todos os casos. Em casos mais graves, a ansiedade nunca desaparece e o atleta assume que faz parte da sua forma de agir, vivendo todas as provas de uma forma que não lhe permite desempenhar em todo o seu potencial.

3 – Com a ansiedade sempre em níveis elevados, o desempenho é inferior ao pretendido, correndo o risco de diminuir a autoestima e a autoconfiança do atleta.

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Motivação e Moralização

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A motivação e a moral são dois fatores muito importantes para que qualquer atleta atinja os objetivos propostos. No entanto, muitas vezes são mal compreendidos ou interpretados. Antes de mais, importa salientar que, tratando-se de coisas diferentes, não se autoexcluem.

Para melhor se compreender estes fatores, vamos partir de um exemplo concreto.
Imaginemos um atleta que pretende realizar uma determinada prova A e que essa prova se vai realizar daqui a 6 meses. O atleta começa por se sentir motivado para realizar a prova e trata de se inscrever na mesma. A motivação define-se, assim, pela vontade de realizar a prova. É o "Querer" que faz o atleta dar os passos necessários para realizar a prova.

Nos meses seguintes irá dar-se a preparação para a prova, em particular ao nível do treino.  No entanto, o tempo até à prova é longo e, neste período, há muitas variáveis, muitas condicionantes. Aqui devem incluir-se todas as condicionantes, sejam elas de cariz profissional ou pessoal e fala-se de questões tão simples como excesso de trabalho e menos tempo para o treino, lesões, doenças do tipo gripe e afins – do atleta ou de pessoas próximas -, noites mal dormidas e menor descanso, etc.

Estas condicionantes vão aumentando ou diminuindo a motivação do atleta para realizar a prova A porque, em cada dia, em cada momento, o atleta pode "Querer" mais ou menos realizar aquela prova. Assim, a motivação é algo flutuante, dinâmico, cujo "nível" é ajustado consoante o estado de espírito do atleta em cada dia ou momento. Na verdade, se os fatores motivacionais para realizar determinada prova são intrínsecos – só dizem respeito ao atleta, são interiores -, a motivação irá aparecer de forma mais positiva à medida que a prova A se aproxima, pelo que, naqueles meses antes da prova, não deverá ser muito questionada.

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O que os pais imprimem nos filhos

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"Quando somos pequenos, não questionamos as escolhas dos nossos pais. Aceitamo-las e pronto. São justificadas pelo estatuto quase divino da paternidade. Se não falam connosco, é porque não merecemos que nos dediquem esse tempo. Se não nos cumprimentam com amor e afecto, é porque não merecemos. Se somos ignorados, é porque não existimos." – Bruce Springsteen, Born to Run

Os nossos filhos, as nossas crianças, absorvem tudo... mesmo tudo. O que dizemos ou não dizemos, o que fazemos ou não fazemos, o que sentimos e não sentimos. Já reparou que, quando uma criança demora a adormecer e o pai ou a mãe começam a ficar irritados, mais a criança chora e menos a criança dorme, certo? A razão é simples: por mais que se esforce para manter o mesmo tom de voz, a sua irritação chega mesmo à criança, porque ela sente tudo.
E isto é só um exemplo.

Nos primeiros anos de vida dos filhos, estamos, enquanto pais, não só a passar-lhes os nossos valores e educação, mas também a dar-lhes as ferramentas emocionais que irão utilizar à medida que crescem e se tornam adultos. Hoje em dia, com o ritmo a que a sociedade vive, temos cada vez menos tempo para as crianças. Entramos no trabalho cedo e saímos tarde. É para dar aos nossos filhos o que não tivemos, dizemos nós quase para nos justificar. No entanto, quase todos os estudos dizem que as crianças querem mesmo é tempo de qualidade com os pais.

Quando saímos cedo e chegamos tarde a casa e já quase não vemos os nossos filhos, eles sentem que não merecem o nosso tempo, que não são assim tão importantes. Esta sensação que criam – e não é sequer relevante se é verdade ou não, só importa o que a criança sente – irá potenciar na criança uma carência no que se refere à sua autoestima, à sua autoconfiança e ao seu merecimento para receber Amor. Para esta criança, ela não merece receber Amor. É capaz de imaginar o que isto vai fazer nas relações amorosas futuras desta pessoa?

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"Foi a Cabeça que me levou" – A Frase dos Impreparados

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Nos desportos de longa distância, como triatlos da distância IronMan ou Maratonas entre outros, é algo comum ver e ouvir atletas dizerem que, nos últimos quilómetros, foi a cabeça que os levou porque as pernas já não davam.

Regra geral, quando se chega a uma determinada parte da prova em que as pernas já não dão, é sinal de que a preparação física foi insuficiente ou, a mais comum das outras opções, o esforço físico da prova não foi bem gerido.

Em qualquer um dos casos, não é bem a cabeça que leva o atleta até ao final. É, muito mais vezes, o coração. Para se chegar à "conclusão" de que foi a cabeça a levar até ao fim, passou-se, com toda a certeza, por um período de diálogo interno em que a cabeça começou por bombardear pensamentos de boicote, como a vontade de desistir, de parar, questionar o que se está ali a fazer, se vale a pena, etc… é, no entanto, o coração, o orgulho ou, não raras vezes, a vergonha, que leva a que se continue e se acabe aquela prova.

Seja por má preparação física seja por não se gerir bem a prova, a verdade é que uma boa preparação mental ajuda e muito a que estas situações não aconteçam. E, nestes casos, a boa preparação mental permite perceber que o esforço que se está a fazer é demasiado elevado e que, inevitavelmente, a factura vai pagar-se mais tarde. Uma boa preparação mental permite compensar, tanto quanto possível, essa falta de preparação física.

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Wake Up Call (outra vez)

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O que se passou na terça feira na Academia Sporting foi, mais do que um ataque aos profissionais do Sporting Clube de Portugal e ao próprio clube, um atentado ao futebol e, arrisco, a todo o desporto português. E não foi por falta de avisos.

Nesta altura, o mais normal será apontar já culpados e responsáveis pelo acontecido. E coloco "culpados e responsáveis" porque falamos mesmo de coisas diferentes.
Os culpados deste caso são, antes de mais, os 30 ou 40 indivíduos que agrediram os profissionais do clube. No entanto, podemos estar perante um caso em que estes tenham agido a mando de alguém. Então, também esse seria culpado no caso. Já os responsáveis, seja por acção ou inacção, são muitos mais.

Nos últimos anos o futebol português tem estado num permanente estado de guerrilha, e as acusações chegam de todos os lados, com maior destaque para os 3 grandes clubes nacionais. Mas a responsabilidade não se esgota nem nos presidentes, nem nos departamentos de comunicação destes clubes. Esta deve ser alargada à Liga, FPF, IPDJ e Governo através da Secretaria de Estado do Desporto.

Para falar apenas de alguns exemplos de que me lembro, a coisa começou há já largos anos.

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Mental Coaching, a Cola que Tudo Une

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90% do jogo é metade mental – Yogi Berra

Há pouco tempo, fiz a preparação mental de um atleta para realizar a sua segunda maratona. A primeira experiência não tinha corrido muito bem, pelo que era importante abordar as questões e medos que daí tinham resultado. O trabalho incidiu muito nisso e na preparação da prova propriamente dita. O atleta não foi preparado para superar essas questões nesta prova, foi preparado para não as ter sequer.

O resultado final foi bastante bom. Fez cerca de 9 minutos menos do que o seu objectivo, fez menos 5 minutos na segunda metade do que na primeira, não houve muros nem marretas, e ainda acabou com um grande sorriso e de braços no ar, em vez de ser de "rastos" como na anterior. Tudo isto foi trabalhado, integrando muitas técnicas e valências que vão desde a visualização criativa à linguagem corporal, passando pelas respostas psicofisiológicas. Tudo trabalhado ao pormenor de, por exemplo, como, quando e o quê, na sua alimentação e hidratação durante a prova.

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O Mental Coaching e a Formação de Jovens Atletas

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Nos últimos anos, o número de pessoas a praticar desporto aumentou quase exponencialmente. Com o aumento dos atletas veio também o aumento da competitividade, mesmo quando esta é "apenas" connosco próprios ou com o nosso grupo de amigos. As pessoas passaram a treinar em vez de só praticar desporto, passaram a investir mais no desporto, seja em tempo seja em dinheiro.

Naturalmente, esta alteração no tipo de vida teve consequências nas nossas crianças que, mais cedo do que mais tarde, despertaram para o desporto e para a realização de "competição". Apesar das aspas, já há muitos jovens atletas que encaram o desporto como competição, sem aspas, com tudo o que isso acarreta em termos de situações mentais e emocionais a trabalhar.

Se o Mental Coaching é cada vez mais encarado como algo importante ao nível dos atletas adultos, ainda não dedicamos a mesma importância ao Mental Coaching para jovens, e isso deve-se à perspectiva adulta do desporto jovem.

As motivações dos jovens para a prática desportiva são muitas e variadas, mas a grande maioria refere que estão relacionadas com o convívio com amigos e a diversão, o prazer que sentem no que fazem. Apesar disso, muitos são os casos em que os jovens se sentem pressionados e tentam comportar-se como atletas profissionais, que deixam de sentir o prazer do caminho para se preocuparem apenas com o resultado.

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Muros, Marretas e Outros Mitos

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Recentemente, ao conversar com duas pessoas que iam fazer uma maratona, ambas indicaram que já sabiam que iam encontrar o muro da maratona. O Km a que tal ia acontecer é que variava... mas ele lá estaria. Perguntei a ambas como podiam ter essa certeza. Porque assim era, porque sempre tinha sido assim, porque acontecia a todos, e por aí fora.

Também foi reparando que, há atletas que quando fazem determinado tipo de provas, nomeadamente as provas longas, encontram sempre o "Homem da Marreta". Mais, sabem mais ou menos quando isso vai acontecer, mesmo antes de iniciarem as provas. Faz parte, é normal, acontece sempre.

No Triatlo, dizem, quando se vai entrar na água para começar uma prova, há sempre um pico na pulsação, há sempre alguma dificuldade em encontrar a respiração, há sempre... algo.

Por mais prováveis que sejam estas coisas de acontecer, é esta certeza que se entranha nos atletas que faz com que, nas provas, todas estas situações possíveis, se tornem reais. Claro que estas situações também podem estar relacionadas com questões físicas, como uma má preparação para as provas que se vão realizar. No entanto, vamos partir do princípio de que a parte física está bem trabalhada. A questão reside, na maior parte dos casos, na vertente mental dos atletas.

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A Química da Felicidade - Do Corpo também se trabalha a Mente

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Uma boa preparação mental é a diferença entre o sucesso e o insucesso. No entanto, para se atingir o sucesso, a mente e o corpo devem trabalhar em conjunto já que, um sem o outro, nada fazem. Por melhor preparado que esteja em termos mentais, se não estiver em forma fisicamente, dificilmente será possível atingir o sucesso.

Assim, no Mental Coaching, podemos e devemos trabalhar também o corpo. Ou melhor, trabalhar a influência que o corpo tem na mente. É aqui que entram as expressões faciais. Com certeza já reparou que é no início e no fim das provas que os atletas apresentam as expressões mais alegres e bem-dispostas. Se no início, o atleta está num estado de excitação pré-competitivo, no final temos presente a alegria do sucesso, seja ele vencer a prova ou atingir o objectivo pessoal.

Este estado de alegria e boa disposição, potencia a produção das substâncias químicas definidas como o "quarteto da felicidade": Endorfina, Serotonina, Dopamina e Oxitocina. Além de transmitirem à nossa mente que estamos felizes e, por isso mesmo, tudo se torna mais fácil de fazer, também actuam como analgésico natural, potenciando ainda mais um bom desempenho, pois não existe dor.

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Mental Coaching - O Treino Escondido

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Todos os atletas procuram atingir objectivos, obter resultados. Naturalmente, estes são variáveis de atleta para atleta, de acordo com o seu nível ou contexto competitivo. Uns poderão competir para vencer uma competição, outros para melhorar ou atingir determinada marca e outros para se superarem.

Para tal, o treino não deve ser descurado, seja ele físico ou mental. Ambos irão contribuir para que os resultados pretendidos apareçam. E é por isso que, para se ter bons resultados, se recorre a treinadores para a parte física e a Mental Coaches para a parte mental.

Sendo o objectivo do treino mental a preparação da competição, o trabalho de Coaching é mais abrangente e permite a evolução da pessoa e não só do atleta. É por isso que, o que se pretende, é dar ao atleta ferramentas que o permitam estar preparado para as várias situações com que se possa deparar. Mais, é importante que o atleta não esteja dependente do Mental Coach para preparar a prova, apesar de, naturalmente, quando a preparação é realizada com um técnico profissional, ser mais completa.

Tomemos como exemplos o Luís Costa, que recentemente conquistou a 1ª medalha de Portugal num Campeonato do Mundo de Paraciclismo com um 3º lugar no contrarrelógio e ainda um 4º lugar na prova de fundo, e o Miguel Carneiro, primeiro atleta nacional a completar um Triplo "IronMan". Em ambos os casos, as provas foram realizadas fora do país o que, só por si, acaba por impossibilitar um acompanhamento individualizado aos atletas.

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A Mente e as Lesões - Merecias melhor, "Lightning Bolt"

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Uma boa preparação mental é indispensável para o sucesso desportivo, apesar de este não estar garantido só por isso. No entanto, uma má preparação mental é garantia de falta de sucesso em competição.

São muitos os casos de atletas que, quando chegam à hora H, falham. É comum dizer-se, nestes casos, que não aguentaram a pressão, e é bem verdade... na maior parte das situações. Há muitas situações em que os atletas, sem pressão de resultados, chegam e triunfam, atingem resultados de qualidade, mas que nas competições seguintes, onde a expectativa de terem bons resultados já é alta, falham redondamente.

Outros são os casos em que os atletas, quando a pressão dos resultados é grande, têm sempre lesões ou doenças, durante ou antes das provas importantes. Estas situações são claramente resultado de uma má preparação mental do atleta. Muitas vezes, quando os atletas não estão bem preparados mentalmente, para a competição ou até para o treino, o corpo somatiza – ou seja, torna físico o que é mental – e "parte" pelo lado mais frágil: lesão musculares, problemas respiratórios ou outros, são alguns exemplos.

Usain Bolt despediu-se no sábado, dia 12 de Agosto, da competição, nos Campeonatos do Mundo de Atletismo Londres 2017 e fê-lo da pior forma possível: com uma lesão – há quem fale de caibras na perna. Seja qual for a verdadeira razão, o que salta à vista é uma incorrecta preparação para a competição. No caso de Lightning Bolt, não se deveu à pressão – experiência já ele tem muita nestas andanças – mas, antes, à falta de foco e concentração para esta época desportiva.

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No descanso também se trabalha

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Todos sabemos que andar em cima de uma bicicleta 4, 5 ou 6 horas, requer muito espírito de sacrifício. Fazê-lo todos os dias durante 3 semanas, ainda mais. Quando a isto juntamos competições como o Giro de Itália, o Tour de França ou a Volta à Espanha, ainda mais complicado se torna. O nível competitivo é muito alto, não só pelos percursos como pelos atletas envolvidos.

Na maioria dos casos, os chefes de fila das equipas apenas fazem uma dessas competições, devido à sua exigência. Pelo menos, aqueles que são candidatos a vencer a competição, como Nairo Quintana ou Chris Froome, costumam apenas apontar ao Tour, pois o desgaste físico e mental de uma competição destas é tremendo.

Este ano, Quintana optou por fazer o Giro – prova em que era considerado o grande candidato à vitória final – e o Tour – onde Froome é, por estes anos, o grande favorito. No Giro, Quintana ficou na segunda posição a apenas 31'' de Dumoulin, tendo perdido a liderança na última etapa, um contrarrelógio individual, especialidade em que o holandês é um dos mais fortes da actualidade.

No Tour de França, Quintana caiu para a 11ª posição após a 15ª etapa em que terminou a quase 4 minutos dos favoritos à conquista da camisola amarela. Além do desgaste físico de uma prova destas, fala-se agora do eventual desgaste mental do colombiano, que terá quebrado ainda mais por ter feito o Giro antes.

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Mudaram os Valores - Do Futebol Desporto ao Futebol Negócio

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A FIFA terá sido a primeira instituição a perceber que, no futebol, controlando os meandros do mesmo, se podiam fazer fortunas. Sendo quem mandava no futebol, a FIFA tratou de criar o seu esquema - ou esquemas - de controlar tudo e todos, fazendo circular dinheiro para todos os lados, gerindo os favores conforme convinha e até prometendo vitórias em competições. Tudo isto dava dinheiro à própria FIFA.

A partir daí, a bolha foi crescendo e rapidamente a UEFA tratou de ir buscar o seu quinhão. Vendiam-se espaços de publicidade a milhões de euros, mudaram-se figurinos de competições europeias de modo a abraçar mais clubes de países ricos. O importante era ter os grandes clubes, todos os anos, a jogar a Liga dos Campeões, tudo em prol de um suposto aumento do espectáculo e do aumento da competitividade.

Como os prémios eram cada vez maiores e as audiências subiam exponencialmente, os clubes logo quiseram buscar o seu. Chegar mais longe na competição dava dinheiro e começava a pensar-se mais no dinheiro que nos títulos... embora a bandeira seja sempre essa, claro.

O futebol começou, ou melhor, continuou a movimentar milhões e milhões, as transferências começaram a escalar no que aos valores movimentados diz respeito e logo apareceram empresários, agentes e, mais tarde, Fundos a fundo perdido. O futebol, agora, é das áreas que mais dinheiro mexe ao ano e uma das poucas que, aparentemente, não tem crise.... Só o resto do Mundo vive uma realidade à parte.

Todos os anos se batem recordes de transferências. Fala-se de 100 ou 200 milhões com a simplicidade de quem compra uma laranja. Os contratos de transmissão televisiva custam muitos milhões - em Inglaterra pagou-se cerca de 7000 milhões pelos direitos de transmissão da BPL de 3 épocas. Toda a gente ganha... ou quase toda a gente.

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A Final de todas as pressões

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A final da Liga dos campeões é o jogo mais importante do mundo, no que às competições de clubes diz respeito. Só os melhores dos melhores lá chegam.

No dia 03 de Junho, disputa-se a final da CL da época 2016 - 2017, entre Real Madrid e Juventus e, pode dizer-se, esta será a final de todas as pressões.
Jogar uma final é sempre um factor de pressão acrescido para os atletas. Todos os olhos estão postos naqueles jogadores e todos querem vencer mais que em outro qualquer jogo. Mais, querem jogar bem, fazer tudo bem feito... e estão, todos, altamente motivados para o jogo.

No entanto, este ano, pela conjuntura, a pressão é ainda maior para as duas equipas.

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Campeonato 2016 / 2017

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Muitos factores contribuem para se ser campeão nacional de futebol. O campeonato é uma prova longa - de regularidade, como se diz - em que vence quem falha menos, quem perde menos pontos.
Além das questões técnicas e tácticas, de gestão de plantel - quebras de forma, lesões, castigos, etc -, há a componente mental que é preciso ter sempre ao mais alto nível. E é sobre este prisma que vamos olhar para o que os grandes fizeram... e para mais duas equipas.

SL Benfica

Estabilidade e Confiança

O Benfica conquistou, este ano, o seu inédito Tetra campeonato. Ganhar um campeonato já é difícil, vencer 4 consecutivos é altamente improvável. Basta ver o número de vezes que um clube, qualquer clube, o consegue.

Para a conquista histórica desta época, muito contribuem a Estabilidade - do clube, em termos de direcção e equipa técnica - e a Confiança - dos atletas.

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O Mental Coaching no Futebol de Formação

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Com o "boom" das escolas de formação associadas aos clubes grandes e com os milhões que o futebol movimenta, o futebol de formação mudou o seu paradigma. Ao contrário do que acontecia até há umas décadas atrás, a formação de hoje é encarada muito mais como um passo necessário para se ser profissional do futebol do que como um processo de diversão dos jovens e formação de pessoas.

A partir de certa altura, os próprios pais começaram a pedir aos seus filhos que, em idade de formação, quase se comportassem como profissionais. Estas atitudes podem ter várias origens, como os pais passarem para os filhos o sonho de serem profissionais ou o simples facto de, ao verem um filho com jeito para a bola, o petiz poder ter ali o seu ganha-pão no futuro.

Só que, na grande maioria dos contextos de formação, as crianças, mesmo que tenham o sonho de serem jogadores de futebol, querem mesmo é divertir-se, estar com os amigos, "jogar à bola". E é nesta diferença de objectivos entre pais e filhos que começam a surgir os primeiros problemas, que podem ter impacto profundo na formação pessoal das crianças.

A exigência dos pais em relação aos filhos leva, não raras vezes, a situações de fraca auto estima e pouco auto confiança, já que dificilmente estarão ao nível das expectativas criadas pelos próprios pais. Os pais até o fazem por bem mas o impacto fica lá na mesma.

Atenção, quem fala aqui dos pais, poderia falar também de treinadores… porque há muitos que cometem os mesmos "pecados". (...)

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A Exigência Competitiva, o Inconsciente Colectivo e Mentalidade Vencedora – Parte III

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São muitos os factores que contribuem para se ter uma Mentalidade Vencedora. Além da estabilidade emocional e a capacidade para lidar com a pressão, da vontade de vencer, gostaria de destacar as Crenças.

Tudo aquilo em que acreditamos, conseguimos fazer. Se um atleta acredita que não pode vencer, não vence... da mesma forma, se o atleta acredita que pode vencer, estará muito mais perto de vencer.

As crenças vão sendo criadas e cimentadas à medida que crescemos e nos formamos. No campo desportivo, estas assentam muito na nossa confiança, em nós mesmos e nos nossos companheiros de equipa. Há, no entanto, uma enorme diferença entre saber que se pode vencer e acreditar que se vai vencer.

No contexto das equipas nacionais na Liga dos Campeões, como vimos nas partes I e II, a Crença na vitória, a Mentalidade Vencedora, não está presente. Regra geral, entramos nos jogos meio derrotados. Pelo nome do clube, pelo orçamento, pelo país de origem, pelos atletas do seu plantel, pela exigência competitiva a que são sujeitos semana após semana - os nossos e os outros -, pela crença que temos que será muito difícil vencer, etc. Ora, se acreditamos que será assim... Assim vai ser.

Nas duas partes anteriores, falámos em como trabalhar o efeito que os fatores externos têm nos atletas. Hoje, o que importa mesmo é potenciar o que de bom os nossos atletas têm.

Foco, Concentração e Motivação. Estes factores, nestes jogos, estão em alta e pouco ou nada precisa ser trabalhado para potenciar. Apenas precisamos equilibrar os níveis, caso estes estejam demasiado altos. Tudo o que é demais, faz mal. (...)

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A Exigência Competitiva, o Inconsciente Colectivo e Mentalidade Vencedora – Parte II

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Na Parte I, falámos sobre o impacto que a exigência competitiva semanal tem na evolução dos atletas, física e mentalmente, bem como isso se reflete nos resultados das equipas nacionais na Liga dos Campeões. Nesta Parte II falaremos sobre o Inconsciente Colectivo das equipas, como é influenciado e o seu impacto nos resultados desportivos.

Os portugueses, genericamente falando, têm dificuldade em acreditar que podem vencer competições, quando falamos de desportos colectivos. Talvez devido à nossa própria história, temos uma grande tendência a nos colocarmos numa posição inferior à do adversário. Quando as equipas nacionais jogam contra um Dortmund, uma Juventus ou um Real Madrid, partem para esse confronto já meio derrotadas, já um passo mais longe da vitória.

É certo que essas equipas, normalmente, chegam mais longe na Liga dos Campeões, ganham mais títulos internacionais mas, mesmo quando assim não é, os nossos atletas "assustam-se" com os nomes.

Quando são realizados os sorteios, começa a saga. Porque aquela equipa é um colosso e é mais forte teoricamente - e reforço aqui o "teoricamente" -, porque vamos ter que jogar com muitas cautelas, porque...  E é aqui que reside um dos problemas: a mensagem passa. Para os comentadores, para os treinadores, para os jogadores.

Fruto desta ideia, é muito comum que os treinadores das equipas portuguesas, nestes jogos, façam alterações nas suas equipas com o objectivo maior de não sofrer golos. Não falo, claro, de alterações estratégicas, que essas são mais normais. Falo, sim, de alterações de filosofia de jogo, de mentalidade de jogo. E, também assim, passam para o inconsciente dos atletas a mensagem de que não acreditam na vitória. E um atleta que não acredita que pode vencer, não vence. (...)

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A Exigência Competitiva, o Inconsciente Colectivo e Mentalidade Vencedora – Parte I

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Na época 2001/2002, o Sporting defrontou o AC Milan, na Taça UEFA, e foi eliminado com uma derrota por 2-0 em Milão e um empate a 1, em Alvalade. Após esse empate na 2ª mão, Laszlo Boloni disse que a diferença era que o Milan jogava com "Sportings" todas as semanas e o Sporting jogava com "Milans" uma vez por ano. Passe o exagero da frase, é uma verdade que ainda hoje se verifica no futebol português.

Os atletas evoluem mais ou menos, conforme o nível de exigência a que são submetidos aumenta ou diminui. Física e mentalmente. E isso é notório ao nível do desempenho das equipas nacionais na Liga dos Campeões.

O nível de competitividade de ligas como a Inglesa, Alemã, Espanhola ou Italiana, obriga a que os atletas estejam, todas as semanas, sujeitos a uma exigência mental superior à do nosso campeonato. Mais do que cá, onde, na minha opinião, os atletas dos clubes grandes podem, em muitos jogos, "relaxar" e ter períodos de desconcentração ou de menor foco no jogo, nas ligas referidas isso não é possível, sob pena de o resultado ser negativo.

Quando chegamos aos jogos da Liga dos Campeões, essas equipas estão, por regra, mais preparadas para a competição, porque estão mais habituadas à exigência máxima. Por outro lado, as equipas nacionais, têm, quase sempre, que dar aquele extra que, normalmente, não precisam. E é aqui que está o problema... ou um dos problemas.

É muito comum vermos os atletas das equipas nacionais, quando disputam jogos com equipas de topo, como com Dortmund, Juventus ou Real Madrid, a terem que dar mais que o seu "100%". E tudo o que é demais, faz mal. Este dar mais que os 100% leva os atletas a encararem os jogos com ansiedade, a serem muitas vezes precipitados nas suas acções e a um desgaste físico e mental/emocional maior do que o desejado. Por isso é tão comum sofrer-se mais golos na segunda parte que na primeira. (...)

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